É impossível imaginar um senário escolar sem crianças aprontando e arrumando confusão, sem apelidos, brincadeiras, rivalidades entre alunos e professores, “panelinhas”. E, menos ainda, sem erros gramaticais. Você percebeu que a palavra cenário está escrita com “s” na primeira frase desta carta, ao invés de “c”, não percebeu? Surpreso? É exatamente isso que queremos que aconteça com seu filho ao ler As aventuras do Capitão Cueca.

Os oito volumes da coleção são ambientados na fictícia Escola de Primeiro Grau Jerome Horwitz. Os protagonistas das aventuras são os travessos estudantes da quarta série Jorge e Haroldo. Hiperativos, eles fazem qualquer coisa para irritar os professores e principalmente, o Sr. Krupp, diretor da escola, que declara guerra aos gibis do Capitão Cueca: cheios de erros de gramática e ortografia, são de deixar qualquer um de cabelo em pé.

No entanto, as falhas gramaticais presentes nos quadrinhos da coleção são propositais, fazem parte da estrutura cômica das histórias e revelam, ainda, uma das temáticas centrais dos livros: os artifícios utilizados pelas crianças para questionar os limites da autoridade – será que Jorge e Haroldo escrevem errado de propósito, apenas para provocar? Trata-se de uma tentativa de aproximar, de forma divertida, os quadrinhos – como recurso interno de texto – às ações das crianças.

O que, à primeira vista, pode parecer um empecilho à aprendizagem, revela-se uma forma eficiente de fixação da ortografia padrão. Sugerimos a vocês, pais e professores, que estimulem nas crianças a percepção dos desvios gramaticais, por meio de leituras em conjunto, tornando a identificação dos erros uma divertida brincadeira. Elas certamente manifestarão interesse em informar-se sobre as grafias corretas das palavras.

A Cosac Naify tem plena consciência de que é preciso respeitar os padrões formais da Língua Portuguesa. Mas, ainda assim, aposta em uma obra que brinca com essas oscilações por acreditar que está contribuindo para a formação de novos leitores. Não há dúvida de que As aventuras do Capitão Cueca despertam o hábito da leitura em crianças, sobretudo com idade entre nove e doze anos. Todos os volumes têm mais de 140 páginas, e o caráter de coleção faz das crianças leitores assíduos e fiéis. Chegam à editora centenas de cartas e e-mails endereçados ao herói e, no Orkut, são cerca de treze comunidades dedicadas ao Capitão Cueca, num total de mais de 1300 membros. Prova de que o nosso herói está cumprindo sua principal missão: motivar as crianças a ler. Os erros fazem parte do processo pedagógico e as regras gramaticais serão incorporadas com o tempo no repertório de seus filhos e alunos.

“Trabalho para atrair crianças arredias à leitura. Divertindo-se, elas se entusiasmam pela escrita e pela leitura”. Essa é a postura do autor Dav Pilkey, que escreveu também As aventuras do Superbebê Fraldinha e a coleção Ricky Ricota e seu Super-Robô, publicados pela nossa editora e com o mesmo humor inteligente.